A tecnologia é nossa parceira!

Eu me rendi. Nem resisti. A internet me pegou de jeito e me apaixonou desde o início. Quero dizer, desde o início não que eu me formei sem o Google!

Eu me formei em 2004, pela UERJ, em Pedagogia. Naquela época, eu tinha que pegar livros na biblioteca ou comprar textos na xerox para ter acesso ao conteúdo que o professor queria trabalhar. Construí meu TCC trocando ideias com minha parceira (fizemos em dupla), lendo muitos livros e pegando orientação com a professora. Já fazia uso de e-mail e era tudo o que eu usava da internet.

Antes da graduação eu, é claro, tinha menos acesso ainda à tecnologia, tanto para trabalhar como para estudar. O mundo era desse jeito. Eu não tinha acesso, não conhecia, não usava e, portanto, eu não sentia falta. Escola era livro didático, folhinha mimeografada e cópia do quadro. Ah, claro, pesquisas feitas em enciclopédias com direito a desenho tirado em papel vegetal (velhaaaaaa)

Quando eu fui percebendo que havia tecnologia boa para se utilizar na sala de aula, queria conhecer tudo! Queria ter acesso a tudo e usar tudo. Rádio pra tocar música, televisão com VHS, depois DVD, retroprojetor (velhaaaaaa²), depois data-show... tudo isso sempre fez meus olhos brilharem. E os olhos dos alunos também! Eu sempre fui daquelas que não têm medo de mexer nos aparelhos, fuçar, apertar botões. Enquanto todo mundo ficava tipo "e agora? não vou mais mexer nisso, deus me livre escangalhar na minha mão" eu ficava tipo "dá licença, posso? Acho que tem que conectar esse fio aqui, esse aqui e apertar aqui. Pronto." Aprendi tudo fuçando. Meu marido briga comigo porque eu não gosto de ler manuais. Ele lê tudo, mas eu gosto de aprender mexendo.

Aí então começaram a criar computadores que cabiam na palma da mão: os celulares! Nem vou fazer aqui uma viagem no tempo pela evolução dos aparelhos, porque não é necessário. Porque, ao falar de telefone celular e educação escolar ao mesmo tempo, tudo o que temos em mente é isso:
Quer irritar mais os professores do que ficar mexendo no celular durante a aula? Aí pronto. Fora de sala! Confisca! Proíbe! Chama o pai! Chama o Conselho Tutelar! Chama o Batman!

Gente... gente! Não entra na minha cabeça. Claro que, no caso de crianças pequenas, não há benefício nenhum em deixar um aparelho desses sob custódia delas. Faz mal pra mente, faz mal pra tudo. Criança tem que se movimentar, não ficar vidrada num retângulo luminoso o tempo todo. Mas, no caso dos adolescentes, é preciso pensar sob um outro olhar. Eles usam aparelhos celulares. O tempo todo. É muito difícil controlar isso.

E então a gente tem duas saídas: Brigar/confiscar/proibir/punir ou se beneficiar da ampliação do acesso a estas tecnologias. Qual saída a maioria escolhe? TEMPO!

Certa resposta! A maioria escolhe brigar/confiscar/proibir/punir. Claro que isso não é responsabilidade do professor regente. Ele geralmente cumpre regras. Geralmente não tem acesso a uma internet de qualidade no trabalho e, quando tem, não pode compartilhar com os alunos. Mas eu, uma pessoa maravilhada com os horizontes amplos da internet, sinto uma dor imensa ao ver (e às vezes ter que participar ) esse fluxo de aula desinteressante > aluno desinteressado > uso do celular com fins alheios ao processo educativo > punição.

Já pensou no quanto a gente pode ganhar? Isso é derrubar as paredes da sala de aula e abrir o espaço educativo para o mundo! com um bom planejamento e uma orientação pedagógica bem feita, todo mundo pode se beneficiar. Nem todo mundo tem celular? Vamos trabalhar em grupos! Vamos baixar aplicativos, e-books, vamos fazer pesquisa em tempo real, vamos entrar em contato com outros estudantes em qualquer parte do mundo! Vamos observar o que as redes sociais têm debatido sobre os assuntos que tratamos em aula! Vamos nos unir em comunidades para defesa das minorias! Vamos?

Não. Vamos colocar o pé no chão. Para de sonhar. "Vocês pedagogos gostam de inventar maluquices porque não entendem nada de sala de aula". "A teoria é uma coisa, a prática é outra." "HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA".

Até quando? Até quando vamos continuar tentando manter de pé uma escola do século XIX com alunos do século XXI?

Este texto é apenas um desabafo. Em breve trarei ideias práticas para trazer a tecnologia para o lado do professor e do educando.

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