Sofro.

Desculpe, Lu Brasil, mas vou ter que usar uma de suas palavras bloguísticas para definir este post.

Sofro, porque gostaria de ser uma pessoa melhor. Gostaria de não ser preguiçosa, de não fazer fofoca, de não bater no meu filho, de ser uma esposa melhor. Sofro porque queria ter uma opinião firme, e não mudar radicalmente a cada quatro horas.

Sofro porque sou tão desorganizada que sinto raiva. Me mudei para uma casa grande, imprimi uma tabela de organização das tarefas domésticas e colei na geladeira. Segundo esta tabela, a gente tem tarefas fixas para cada dia da semana, e se forem cumpridas a casa fica sempre arrumadinha sem esforço excessivo. Agora eu te pergunto: você segue a tal tabela? porque eu não. Só me movo quando o caos já está instalado, e daí levo um dia inteiro e só arrumo a metade da casa. Ou o Alan vai lá e faz. Sofro. Toda vez que eu procuro um objeto e não encontro eu sofro e me xingo, porque se eu fosse organizada saberia onde está.

Sofro porque o dia em que faço mil planos para melhorar na minha carreira é o mesmo dia em que resolvo definitivamente mudar de carreira. Ao mesmo tempo em que faço um discurso imenso explicando por que a educação pública está falida, reconheço que a culpa é minha, e que se eu melhorar como professora vou fazer uma transformação na minha turma digna de filme americano. Sofro porque neste mesmo dia determino que vou passar num concurso para ganhar um mega salário, mas quando vejo o conteúdo programático desisto rapidinho.

Sofro porque troco qualquer programa por ficar em casa e dormir de tarde. E sofro porque quando durmo de tarde não consigo me mover da cama até que o dia esteja escurecendo, e perdi a tarde com minha família. Sofro porque resolvo cuidar da aparência, do cabelo, das unhas mas desisto de tudo para dormir. E acordo com um baita mal humor, por me sentir culpada.

Sofro porque fico vadiando na net quando podia dar mais atenção ao Mateus. E quando ele faz alguma merda maior, me sinto uma vaca. Sofro porque quando ele vem testar minha autoridade rapidinho eu perco a paciência e grito ou dou uma palmada. E isso uma hora depois de determinar que nunca mais vou bater nele. Ontem ele bateu no pai, na hora do jantar e eu me senti culpada. Sofro porque só Deus sabe o que eu chorei com Mateus na UTI (leia toda a história no blog do Mateus) e recebi meu milagre, enquanto tantas mães choram a perda dos seus filhos. E eu desperdiço minha bênção...

Sofro porque juro que vou ser a melhor mulher do mundo, a mulher que meu marido merece, e no mesmo dia fico na internet até que ele durma. Juro que vou cuidar do meu corpo, e resolvo fazer dieta e no mesmo dia me dá um "vazio interior" que me faz devorar meio pacote de biscoitos recheados com café. Sofro porque meu marido continua me amando e me tratando bem, enquanto outros teriam desistido por muito menos.

Sofro porque estou dentro da Igreja, trabalhando, participando da Eucaristia, mas muitas das vezes é só mais uma atividade. Faço mecanicamente, não consigo sentir. Oro desesperadamente para que Deus me faça voltar ao primeiro amor, e só consigo seguir trabalhando. Ora sinto o amor imenso de Deus, ouço sua voz, ora estou ali por estar.

Enfim, sofro. E sofro porque sofro, porque muitas pessoas também são assim e nem sofrem. Sofro porque perco o meu tempo sofrendo, ao invés de mudar. Enfim, é isso, eu precisava confessar tudo isso publicamente. Talvez isso seja um primeiro passo para a mudança.

Beijos e obrigada pela visita e pela leitura.

Comentários

Anônimo disse…
oiii estava aqui pesquisando o meu sofrimento e acabei encontrando as suas palavras e descobrir q nao vou desistir...quem sabe mudar?bjos valeu
ANDREIA

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