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A inclusão escolar: Um sonho ainda distante.

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Quando eu trabalhava em escola particular não havia inclusão . Uma vez apareceu um aluno que parecia ser deficiente mental. Ele mal falava e parecia que a idade mental era de 2 anos, quando ele tinha 5. Várias eram as reclamações dos demais pais, e quando as professoras (que logicamente não tinham informação suficiente) tentavam explicar que o menino tinha alguma deficiência, eram repreendidas pela direção. "tem que ter cuidado pra falar", diziam, mas não diziam como lidar com a criança. Ele ficava lá, não participava muito das coisas. Até que um dia perceberam que o garoto sabia ler TU-DO! Qualquer coisa. Mandavam ler, lia. Com fluência. Não esqueço a marca da televisão que tinha lá: Kirey. E, nessa época, o K, W e Y nem faziam parte do alfabeto da Língua Portuguesa. Ficamos maravilhadas, e pedimos que a escola o adiantasse um ano. A diretora disse que não o faria porque ele só lia letra bastão, e não letra cursiva. A mãe o tirou da escola, depois não tive mais notícia sob...

Educadores à beira de um ataque de nervos.

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Há uns dias atrás um idiota qualquer escreveu um artigo, querendo vender a ideia de que professor ganha muito bem e que tem privilégios demais. Não vou aprofundar nos números, vários colegas já fizeram tabelas comparativas, campanhas de boicote à editora da revista, estou acompanhando e apoiando tudo isso, mas não vou entrar nesses méritos aqui. Vou só contar um pouquinho do que os professores e demais profissionais de educação estão passando hoje em dia. Sou profissional de escola pública há 15 anos. Mas tenho certeza de que meus colegas do ensino privado não estão sofrendo menos do que nós. A cada ano se torna mais difícil ser educador. Temos que lidar com alunos malcriados, agressivos, sem limites. Independente da história de vida deles. A sociedade está produzindo crianças insuportáveis, pobres e ricas. O professor tem que gerenciar a sala de aula, ouvir as mazelas da humanidade, separar brigas, mediar conflitos E ensinar. E ouve pedagogos dizendo que sua aula tem que ser mais d...

Dois pesos, duas medidas

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Quando se fala em educação tem sempre gente dizendo o que é certo ou errado. Sempre tem profissionais pra dar testemunho de sua reputação cristalina nos seus trocentos anos de carreira. Acontece, broder, que aqui embaixo a lei é diferente. A pessoa é pura e sem mancha até a página dois. Nessa hora eu prefiro os professores "vida loka" que se assumem enrolados, desbocados e descontrolados do que aqueles "super comprometidos com seus alunos", mas, na hora do vamos ver, "farinha pouca, meu pirão primeiro". Do que eu estou falando? Tô falando de professores que acham um absurdo suas turmas serem dispensadas quando eles faltam mas jamais abrem mão de um dia sem aluno. Ou de pedagogos/gestores que acham um absurdo o professor faltar sem dar satisfação mas "Deus me livre, dispensa essa turma horrorosa, se a gente ficar com a turma os professores vão ficar mal acostumados". Ou de colegas que fazem greve e, na hora de repor aulas é salve-se que...

Atividades de alfabetização - Não alfabéticos

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Como eu sou uma multimulher (como todas, praticamente), mãe, pedagoga, professora, mulher, esposa, etc... resolvi de vez em quando postar atividades e textos para meus colegas de profissão. As imagens acima foram montadas por mim. As daqui pra baixo, eu baixei prontas. Beijos a todos!

Escola e fracasso: quem assume a responsabilidade?

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Trabalho em duas redes municipais vizinhas. A do Rio e a de Caxias. Nesse momento estou trabalhando em situações quase opostas: Uma escola num bairro muito bom da zona norte, Vista Alegre. Só estudam nessa escola os moradores do bairro, não tem comunidades carentes por perto, o bairro é cheio de recursos, opções de lazer, os pais dos alunos têm um poder aquisitivo razoável. A outra no bairro de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, o bairro onde fica o maior lixão da América Latina. Pobreza extrema, lixo, fracasso, violência. Violência principalmente social. É claro, e eu nem preciso dizer em qual das duas eu me deparo com o fracasso de frente todos os dias. O que será que acontece em Jardim Gramacho e não acontece em Vista Alegre? Qual a diferença entre os cérebros destes alunos? Você pode me dar uma série de fatores: Infraestrutura local, recursos da Rede de ensino, presença e nível de escolaridade dos pais, alimentação, saúde, etc. Eu vou dar apenas um fator: a discriminação. Aqui em...

Um comentário que virou post

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Então, né, gente, na minha postagem sobre memória emocional x memória digital, minha irmã mais vivida postou um mega comentário, que eu adorei e agora fiz virar post. Abre aspas: "Acho que o título desta sua postagem deveria ser "Quando nós queremos que a memória digital se sobreponha à emocional". Digo isso hoje depois de quase enlouquecer tentando resgatar as minhas memórias digitais. Consegui. Algumas... Porque tentamos desesperadamente resgatar algo que "plim" simplesmente pode sumir, se temos algo que é incorruptível que são nossas lembranças e nossos sentimentos. Acredito que fazemos tanta questão desta recuperação para mostrarmos para outras pessoas a intensidade da nossa felicidade ou "olha como meu filho é lindo" ou "você viu meu filho hoje?" Lembra? rss Quando nós éramos crianças não tínhamos nada desta tecnologia de hoje e temos as melhores memórias das nossas vidas. Melhores até que algumas criaças nascidas após o advento da inte...

Eu sou mãe, e queria que o mundo fosse mãe.

Às vezes é difícil ser mãe, sabe? É uma coisa que eu sempre quis, sonhei, planejei. Mas assumo, confesso que ser mãe não é moleza. Não estou reclamando, mas queria que o mundo fosse mais mãe. Que compreendesse um momento de doença, que soubesse ouvir e fosse sensível quando eu estivesse estressada, que dialogasse, que desse colo. Gostaria de que o amor que flui entre mim e meu filho fluisse em todas as relações. Confiança, carinho, compreensão, lealdade. Por que o mundo não é mãe? E quando eu digo ser mãe, é ser mãe de verdade, não mimar, mas saber dizer não quando necessário. Falar a verdade, sempre, mesmo que a verdade doa. Não falar mal por trás, não procurar defeito no outro. Falar o necessário com amor, sem fofoca, sem ofensas. Não debochar, não minimizar as dores da outra pessoa. É mostrar os perigos sem superproteger. Tenho sofrido pelo simples fato de ser mãe. O mundo não é mãe, e não sabe as prioridades e as preocupações que uma mãe tem. Eu gosto de trabalhar (pouco, já disse ...